coisinhas: abril/26
e vamos testando formatos?
esse mês eu entrei em crise umas 10 vezes, um oferecimento do encerramento de bimestre, situações tensas e bizarras no trabalho, longas reflexões e no fim de tudo despesas médicas com a gata. sigo aqui misteriosamente. não misteriosamente, fui carregada nos ombros da minha terapeuta e vários objetos e seres e produtos de mídia. lá vai:

da biblioteca
é o que acontece, você acha que vai ser mais lowkey e quando vê lê oito livros em um mês. seguem algumas mini resenhas enquanto as grandes resenhas não vão pro meu bloguinho:
o silmarillion, j. r. r. tolkien
fiquei honestamente em choque que consegui terminar, depois de ter começado a ler impulsivamente quando revi a trilogia de o senhor dos anéis. estou naquele estado catatônico depois de ler um livrão em que eu quase não consigo ler direito até agora. como muitas obras póstumas, tem um equilíbrio entre o sublime e o que não funciona, o deliciosamente fantástico e o bizarro, o que definitivamente precisava de mais alguns retoques do autor. a história de criação do mundo ainda é uma das coisas mais bonitas que eu li esse ano.
o diário perdido de gravity falls, alex hirsch
li antes de dar de presente pro meu primo adolescente, repassado do namorado. é muito legal mesmo, fui transportada pra quando eu tinha 15 anos e esse desenho era uma parte muito relevante da minha vida. eu entendo as minhas alunas adolescentes obcecadas com sei lá a pomni do circo digital, eu fui assim com a mabel. e é engraçado!!! por mais que muitas piadas se percam na tradução. depois de assistir twin peaks depois de adulta dá pra ver o que o alex hirsch tava querendo fazer.
bicycle diaries, david byrne
vim pelo ciclismo urbano do david byrne, fiquei pelas pequenas anedotas cosmopolitas. é um estadunidense branco escrevendo sobre suas viagens pelo mundo em 2008-2009, é claro que às vezes fica meio esquisito e potencialmente culturalmente insensível quando passamos por alguns países terceiro-mundistas. o capítulo sobre berlim é legal! e o das filipinas também (excluindo-se a já citada esquisitice), dá um pouco mais de contexto do por que o byrne quis escrever um álbum conceitual sobre a imelda marcos, de todas as pessoas no mundo.
o talentoso ripley, patricia highsmith
da minha lista de 12 pra 2026, comprei há anos e não tinha lido, só visto o filme. o livro é ainda mais maluco e mais gay do que eu esperava, mesmo que não seja nada explícito ou canônico. o ritmo policial é muito bom de acompanhar, o que me fez terminar de ler em pouquíssimos dias. gostei muito e ainda um dia eu leio o segundo livro.
xamãs elétricos na terra do sol, mónica ojeda
pro clube peanuts. grande literatura latino-lisérgica. gosto da escolha narrativa de ter partes da história contadas de jeitos diferentes por pessoas diferentes, de modo que você sente uma progressão narrativa, mas com várias perspectivas. é muito bonito ver como a música se entrelaça nas histórias de todos os personagens e como cada um deles traz uma interpretação do que é o Sagrado - enquanto outros tentam se desvencilhar o máximo possível disso.
especial 33 ⅓
resolvi adicionar nas minhas leituras vários livros da coleção 33 ⅓ pra ler coisas legais escritas sobre álbuns que eu gosto. não vou fazer resenhas completas deles pelo mesmo motivo que não faço resenhas de números de quadrinho e mangá, mas aqui vão alguns comentáriozinhos:
pulp’s this is hardcore, jane savidge
esse já era um dos meus álbuns favoritos do pulp, mas acabei ganhando mais camadas de apreciação ao descobrir um pouco mais sobre a história dele. é um bom segundo volume não oficial pro good pop, bad pop do jarvis cocker, que encerra as memórias logo antes do estouro mainstream e associação da banda com o britpop.
brian eno’s another green world, geeta dayal
esse eu não gostei tanto, mesmo dando bastante contexto pra época e pro trabalho do eno. a estrutura é meio bagunçada e, onde eu esperava muitas informações técnicas, recebi muitas passagens falando de jeitos diferentes “nossa gente como esse brian eno era maluquinho né!!! mas olha quantas pessoas trabalharam com ele e disseram que ele dava sugestões muito aleatórias!!!” serviu em algo porque eu descobri alguém que transformou o conjunto de cartas criativas oblique strategies do brian eno em um site.
wendy carlos’ switched on-bach, roshanak kheshti
esse é o único livro que eu li de um álbum que eu nunca ouvi por inteiro - e a menos que eu compre uma versão física, não é possível: tirando as trilhas sonoras, o trabalho da wendy carlos não tá distribuído na internet. a autora usa esse álbum - sinfonias de bach reconstruídas nota por nota no sintetizador, que ainda era do tamanho de uma sala inteira nessa época e parecia algo místico trazido do futuro - pra falar de gênero, cyberfeminismo, arte e de como a wendy carlos ajudou a trazer a música eletrônica ao mundo. pra quem, assim como eu, tem o sonho de um dia se transformar num sintetizador moog analógico, é uma delícia. pra um gostinho, leonard bernstein apresentando um sintetizador tocando bach pra uma plateia de crianças em choque.
da cdteca
compra do mês: junk of the heart, the kooks
um dos álbuns da época em que eu era adolescente indie que eu ouço até hoje. achei no precinho no mercado livre e fiquei muito feliz que ele cumpre a função de ser um cd de ouvir num domingo de manhã preguiçosinho.
mais ouvido do mês: coisa de acender, djavan
ganhei esse de presente da minha irmã de uma viagem que ela fez pra são paulo, e não esperava ser tão profundamente cativada por todas as músicas que eu não tinha ouvido (obviamente, só conhecia se…). foi meu cd de colocar pra repetir enquanto faço coisinhas de casa ou me preparo pra ir trabalhar, muito delícia.
do cinema
vi uma quantidade irrisória de filmes esse mês, e o que eu vi alternei entre amar ou simplesmente não ligar; mas três dos quatro filmes foram no cinema. eles são:
the super mario galaxy movie
chamei meu primo adolescente pra ver esse, tentando justificar minha presença no meio de crianças, homens de meia idade e toda a equipe da loja speed games. lembro que tinha gostado até do primeiro filme, e me diverti muito falando pra minha irmã, sentada do meu lado, que o bowser jr. era igualzinho o flávio bolsonaro. mesmo assim… faltou algo. mas fiquei feliz de ver vários pikmins.
the drama
esse eu tava muito animada pra ver, e minha experiência se beneficiou de não saber o que é que a emma tinha feito. meus amigos me disseram que a atmosfera era igual shiva baby; não sei se concordo plenamente, mas entendo de onde isso vem. além de todas as análises sociais que eu já li, saí pensando que amar e conhecer alguém de verdade é um processo às vezes muito vergonhoso e feio. voltando pra casa, eu e hiago colocamos david bowie - i’m afraid of americans pra tocar.
hairspray (o do john waters, de 1988)
dá pra acreditar que esse foi meu primeiro john waters? e eu nem sabia que estávamos perto do aniversário dele, apenas acordei com uma ressaca monumental no feriado de tiradentes e foi o que eu resolvi assistir. por isso, a cena do parque de diversões me deixou meio enjoada. achei inacreditável que todas essas músicas com dancinha realmente existiram nos anos 50/60, mas aí lembrei de quem eu sou - uma pessoa nascida no fim da era do axé music. sem dúvidas a melhor parte é quando tracy & seus amigos são aterrorizados com beatniks tocando tambor, fumando maconha e lendo howl em voz alta.
michael
faltei na aula de francês pra assistir esse no cinema e não gostei. mesmo gostando muito mesmo das músicas, o filme evita tanto qualquer controvérsia que acaba sem personalidade nenhuma. “caramba olha esse cara!!! ele sofreu tanto coitadinho!! olha como ele tinha animais muito excêntricos e tinha uma coleção enorme de brinquedos!!! vamos fingir que todas essas referências a peter pan são só uma escolha narrativa que não tem nada a ver com a vida real!!” o crime mais imperdoável? o quincy jones aparece por um total de cinco minutos.
no momento:
lendo: we organise to change everything: fighting for abortion access and reproductive justice, várias autoras; against interpretation, susan sontag; língua nativa, suzette haden elgin
escutando: viciada na minha própria playlist, a cybergostosa, que foi o que me fez limpar casa em muitos dias (em um desses eu escutei flop - bassvictim depois de tomar muito energético e me senti vendo a face de deus); o acontecimento wor$t girl in america da slayyter; o álbum do ano passado do viagra boys (destaque pra medicine for horses, que me fez chorar no trabalho). escrevi boa parte dessa edição ouvindo o álbum no pussyfooting, do brian eno com o robert fripp.
parágrafo de fim de artigo. espero lembrar de trazer mais coisinhas no começo do mês que vem. até mais


